Eu e São João Batista
November 22nd, 2009Quem me conhece sabe que eu não paro quieto, já tou envolvido em outro projeto, não sei se vai rolar, mas isso não é pra me preocupar agora. Então procuro aproveitar ao máximo. Como gosto de pesquisa e precisava ver como era o Cemitério de São João Batista, toquei o bonde pra conhecer a necrópole carioca. Confesso q é um tanto desconfortável, sei lá, estranho visitar um cemitério. Quase vazio, exceto pelos coveiros passando e um velório q estava ocorrendo no local. O lugar é enorme. Em vários momentos eram apenas eu e os silenciosos moradores, q, diga-se de passagem, tb disputavam cada centímetro quadrado do lugar. Era pra me esbarrar e pedir desculpas, mas eles pareciam não se incomodar com minha presença. Se fui atrevido ou inconveniente, confesso, não ouvi queixas da parte deles. Bom, pelo menos pra aliviar o “clima” estava fazendo sol, aliás, um causticante e escaldante sol vespertino e ainda estamos na primavera!
Uma coisa me chamou a atenção: dá pra ver o Redentor de lá. Quando cheguei a estas terras, morei um bom tempo em Botafogo. E era muito fácil ver a estátua no Corcovado de qq ponto do bairro. Eu tinha acabado de fazer o Todo Mundo Senta e fiquei empolgado com a ideia de um novo fanzine. Pensei em retratar o Cristo nos meus desenhos, de diferentes pontos da cidade. Bem, ideia não realizada, é ideia sem dono. Tempos mais tarde, o ilustrador Alarcão colocou a ideia no papel e retratou o Cristo de 36 pontos diferentes, seguindo um projeto similar ao já realizado com importantes marcos mundiais, como a Torre Eiffel e o Monte Fuji.
Fui ao S. João Batista para fotografar o lugar. Mesmo tendo o meu foco na pesquisa, impossível não se admirar com algumas coisas, ou dar espaço para outras interpretações. Posso citar pelo menos 3 coisas, todas dentro de um mesmo tema: Jesus. Vamos a elas:
1. Eu já visitei o Cristo no Corcovado. É monumental, titânico. Mas do cemitério, ele era menor que uma estatueta de mesa, um souvenir. De vários pontos, é possível ver q as estátuas de Jesus q ornam boa parte dos jazigos e túmulos “conversam” com o Redentor. Algumas ficam sensivelmente colossais, fruto da ilusão de óptica e da perspectiva. Algumas outras mostram o contraste da passagem de Jesus pelo planeta. Havia um conjunto de estátuas q mostrava a via crucis, a cena de Jesus carregando o peso de uma enorme cruz… ao fundo, ele mesmo, pequeninamente grandioso, abria os braços, como se fosse o dia da ressurreição. A bruma envolvendo a montanha reforçava a atmosfera…
2. Se o mesmo Redentor abre seus braços para a baía de Guanabara e assina um dos mais belos cartões postais do planeta, a mesma estátua “abençoa” a cidade dos mortos, um “condomínio” de vizinhos discretos, quietos, caladões. Dá a impressão de q todas as estátuas e cruzes ficam voltadas para ele…
3. Gosto qdo Jesus ganha novas interpretações. Uma das estátuas mostrava o nazareno na pose de crucificado, mas sem a desagradável cruz de madeira. Dessa forma, ele parecia mais um dançarino, uma coisa meio M. Jackson. Afinal de contas, tanto um qto o outro são ícones pops, hj habitando o mesmo terreno celestial. Quem quiser conferir uma re-interpretação do filho de Maria, dá uma olhada na animação abaixo:
Chega de papo. Vamos às imagens q comprovam o q disse acima: desenho do Alarcão para o Corcovado visto do cemitério e meu desenho de quando cheguei ao Rio e visitei o Educandário, na R. São Clemente; estátuas “dialogando” com o Redentor; a via crucis; e Jesus Jackson:





