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Pequenino em terra de gente grande

October 8th, 2009

Terceiro dia no novo trabalho. É estranho, mas eu não deveria estar me sentindo do jeito q estou, pois embora tenha passado mais de 10 anos num único emprego, nos últimos 3 já estive em três lugares diferentes, todos aqui no Rio de Janeiro. Agora trabalho no centro da cidade. Depois de passar por Botafogo e Barra da Tijuca, estou experimentando o “centrão”. Já trabalhei em centro de cidade. Quando morei em Sampa, trabalhava na Sé. O cenário é bem característico: concreto, trânsito, barulho e… gente, muuuuita gente. O pior é q achei o centro do Rio mais sufocante. Um colega de trabalho, paulista recém-chegado, comentou q tinha a ver com a densidade em relação aos espaços. As ruas daqui realmente são mais apertadas e cada pedaço de chão é muito disputado. Atravessar as ruas na faixa é uma aventura quase carnavalesca, citando a muvuca generalizada das festas de Momo. Sinto-me pequeno. Não apenas pela opulência e a visão sem perspectiva causada pelos arranha-céus cariocas, mas dentro da sala de trabalho, dá pra sentir a grandeza do time com quem trabalho. Hoje rolaram aquelas perguntas: vc tem site? blog? msn? Dei meus contatos, peguei o dos colegas e o nível é muito bom, muito bom, mesmo. Tem gente com material fino, outros são “das antigas”, trabalhando para curtas de respeito e longas. Trabalho na equipe de arte q está produzindo material para uma série de desenhos animados. Também fiquei sabendo de um blog interno onde a galera pode postar desenhos e contatos: o Pausa para o Desenho. A concentração de talentos no retângulo da sala (e fora dela, nas outras equipes) é surpreendente. Fico muito feliz por fazer parte de um time tão rico e espero fazer o melhor q puder…

Morando loooonge do trabalho, voltei a um antigo hábito: ler no ônibus e no metrô. E pra começar, peguei “leve” (sem trocadilhos): tou terminando mais um livro do Jô – Assassinatos na Academia Brasileira de Letras. Não vou comentar de valor literário, essas coisas. Leio porque me diverte e me estimula a contar histórias. Este romance se passa no Rio de Janeiro dos anos 1920 – numa época muito pitoresca – e é ótimo encontrar no livro os nomes dos lugares da cidade onde estou morando numa época em q nem meus pais sonhavam em nascer. Dá até vontade de desenhar algumas personagens da novela ou transformar algumas cenas em páginas de quadrinhos. Já senti vontade de fazer isso quando li o prólogo de O homem que matou Getúlio Vargas, do mesmo autor.

bigode_marlon_tenorio

Os esboços acima não guardam relação com o livro, mas confesso q a leitura inspira.