Testando 1, 2, 3…
January 21st, 2010Uma modificação num brush do photoshop e dá pra conseguir resultados bem bacanas… imagine…


Uma modificação num brush do photoshop e dá pra conseguir resultados bem bacanas… imagine…


Tava voltando pra casa hj e a imagem de um homem com cabeça em chamas me veio à mente. Resolvi então brincar com alguns lápis de cor q eu nunca usei, canetas novas q eu comprei e lápis 2B. Foi um bom exercício. Acredito q boa parte desta fase de experimentação e brincadeira se deve ao fato de eu estar em um ambiente com bastante gente talentosa. O meio influencia o homem? Acho q estou sentindo isso em primeira pessoa e constatando q a melhor coisa para se desenvolver qq habilidade é conviver com pessoas na mesma sintonia.


O ano novo chegou e com ele vem aquela preguiça de retomar certas atividades q a gente interrompe quando o ano passado acaba. Uma delas foi voltar às sessões de modelo vivo. Não pratiquei nada no último mês – dezembro – pois o trabalho apertou e precisava de todo o tempo disponível para cumprir os prazos. Na segunda-feira passada era para retornarmos aos encontros de desenho, mas eu havia chegado de viagem. E ontem, meio q não tava a fim. Pra minha sorte, foi um bom dia. Modelo inédita, caderno novo, alguns materiais novos e o bom e velho 6B tb à mão. Pra mim desennho de modelo vivo é meio loteria: tem dia q acerto mais q erro, na verdade, tem dia q tou mais inspirado, mais relaxado. E cada dia é um dia diferente. Cobrar-se demais não ajuda, mas ainda faz parte do meu processo. E para dar um tempo na matemática, aí vão alguns dos desenhos q selecionei. Basicamente são das poses de 5 min e 10 min.
Existem pessoas q gostam de representar marinhas, outras preferem natureza-morta, há quem se apaixone por paisagens… Eu amo figura humana. Meu primeiro contato com sessões de modelo vivo aconteceu ainda qdo morei em São Paulo entre 2005 e 2006. Comecei a frequentar sessões públicas no Centro Cultural São Paulo e aproveitei o máximo que pude. Qdo vim morar no Rio, perdi completamente o contato com a matéria. Não sabia de nenhum lugar onde pudesse praticar nos moldes q treinava em Sampa. Nunca tive orientador, professor, instrutor. Tudo foi meio na “raça”, olhando livros, internet e, é claro, rabiscando muito. Tenho lá as minhas falhas, meus vícios, meus “cacoetes”. Mas fiquei bastante tempo parado. Trabalhando na 2DLab ao lado de tanto desenhista, resolvemos “criar” um grupo para a prática do desenho de modelo vivo e estamos há um mês nos reunindo sempre às segundas para treinar. Sugeri ao grupo o mesmo esquema q funcionou comigo qdo praticava na capital paulista: dividimos o tempo em períodos e fazemos desenhos de 30″, 60″, 5 min e 10 min. Os primeiros tempos (30″ e 60″) servem como aquecimento, para “soltar a mão”, captar o gesto, a linha de ação, a essência da figura. Para animadores é excelente. Os módulos de 5 e 10 min são para desenhos um pouco mais elaborados, para dar atenção ao detalhe. Um colega de trabalho tem um livro fantástico, The Natural Way to Draw, com diversos exercícios e práticas para desenvolver o olhar sobre a figura humana. No livro existe um exercício q eu chamo de “primeiro kata”, o desenho cego, isto é, desenhar sem olhar para o papel, apenas para o modelo. Angustiante, cansativo, desconfortável… Não espere q saia coisa q preste nos primeiros (e segundos, e terceiros…) exercícios. Vai parecer um pouco com Picasso, mas a ideia, pelo menos na minha opinião, é desenhar o q se vê, e não o q se pensa q se vê. Não vou entrar em discussão profunda, mesmo porque sou leigo na teoria. O q posso dizer é q este tipo de exercício me força a ver com mais critério, quase q “scannear” a figura, prestando atenção a detalhes q antes me passavam despercebido. Uma coisa é eliminar o detalhe conscientemente, outra é eliminar por preguiça, desatenção ou mesmo ignorância. Eu confesso q num certo momento começa a ficar divertido, como se uma parte do meu cerébro, aprisionada pela outra, a razão, ganhasse a liberdade de expressão, sem meu juízo de cobrança. Um “pacto” entre os 2 lados do cérebro.
Abaixo segue o resultado do último encontro. Começo com os desenhos rápidos, em poses de 30 e 60 segundos. Nas poses de 5min resolvi praticar o desenho cego. Nas poses de 10min, fiz uma média de 2 a 3 desenhos da mesma posição. Isto pra ver o modelo de ângulos diferentes ou simplesmente estilizar uma pose.
No blog da galera da 2DLab, o Pausa para o Desenho tem uma seleção dos meus colegas, muito bons por sinal!
Voltei a “pintar”. Pelo menos, brincar com as tintas. Aproveitei q ainda tenho uns restos de aqualine – eu sei, é inferior, mas é o q eu tenho no momento – da época em que ainda morava em Salvador e uns tubos de aquarela do período da faculdadade (e tome tempo!!). O papel é o canson (branco, o melhor), a opção mais acessível para quem quer se aventurar no mundo das tintas líquidas.
“Sofro” de dois problemas q atormentam boa parte de ilustradores, cartunistas e coloristas: auto-cobrança (não sei se tem hífen) em demasia e medo de experimentar. E olhe q ainda tenho um terceiro (saber ouvir críticas, mas isso fica pra outro post). Entretanto dizem q até coco amadurece, então tenho chance. Participar de salões de humor é um bom exercício. Lembro-me q foi por este motivo q comecei a treinar alguma técnica de colorização. Fiz uns testes e acabei participando de alguns concursos e ganhando outros. Mas se vc não se aperfeiçoa, logo fica pra trás ou acaba se deixando ficar pra trás. E participar de salões implica uma coisa: ter ideias. Há um bom tempo não produzia cartuns. Acabei focando muito nos quadrinhos e esqueci este outro universo. No feriado de Tiradentes tive um daqueles raros surtos de ter ideia atrás de ideia e quase não dormi nestes dias. Como executar sempre demora mais do q pensar, acabei registrando rapidamente algumas dessas num caderno de esboços e outras confiei à minha memória – o q não é bom, pois se ela for RAM, já era! Isso é importante, pois nem sempre a gente tem ideias o tempo todo, ou com regularidade. Há os dias do bloqueio, do branco, do “não consigo pensar em nada q preste”, dentre outros. É aí q aquele seu caderno de rabiscos vem salvar a pátria e vc só precisa se concentrar em ampliar os esboços e… finalizar. E é neste momento q aqueles medos q citei no começo do post se apresentam. Mas como estou um pouco mais maduro, eles vêm… e vão. Desenhar, pintar, tem de ser prazeroso, caso contrário não vale à pena. Tenho conseguido bons resultados gráficos, ou pelo menos tenho gostado do que produzo, o q já é um avanço. E aqui vai o recado: se vc não gostou do resultado, não precisa ficar dizendo “que bosta de desenho”, “que merda de trabalho”, “que lixo”. Isto não ajuda em nada. Diga apenas q não gostou do q fez e pronto. Descanse, deixe o desenho pra lá um pouco, vá tomar um ar, uma água, qq coisa. Não precisa se humilhar ou atacar aquilo q vc mesmo fez. Demora pra conseguir isso, eu ainda estou no processo. Mas os salões ajudam, e por quê? Se vc não gostou do que fez, aquele desenho não vai ficar em seu poder porque vc vai mandar pelos correios para o concurso, ou seja, vc vai se desfazer daquilo q não ficou bom… na SUA opinião. Se os outros vão achar tb ruim, não é mais com vc, mas se for apenas o seu perfeccionismo, pelo menos vc fez, arriscou, participou. Ganhar, perder, nesta hora, não é o mais importante, pelo menos o seu desenho não foi parar na lata do seu lixo ou na sua gaveta, brigando com tantos outros. Vc deu oportunidade a si mesmo e ao seu desenho. Pensem nisso… pelo menos eu venho pensando mais a respeito.
E aqui vai uma imagem direto da prancheta. A ilustração vertical foi a primeira. E já notei uma melhora quando fiz a segunda, a horizontal. É fascinante notar q, se eu tivesse interrompido o processo da pintura da primeira e desistido, jamais eu veria a segunda imagem…
Bom, parece um post meio auto-ajuda, mas antes de sermos artistas, somos seres humanos, e boa parte de nós, independente da atividade q desenvolvemos, sofre das mesmas coisas.

Tou passando o feriadão de Tiradentes trabalhando em casa. E quando isso é inevitável, a saída é procurar se divertir de alguma maneira. Resolvi então brincar me filmando durante a arte-final de uma página de quadrinhos. Na vida real, levou quase 2 horas (ou pouco mais que isso), mas no timelapse abaixo a página ficou pronta em modestos 1min e 40seg, para casar com a trilha de Leroy Anderson, q ficou maravilhosa na interpretação impagável de um patrono da comédia, Jerry Lewis. Tem o vídeo dele no YouTube. Vale à pena ver umas 5 ou 6 vezes. E divulgando mais uma vez, usei a canetinha especial sobre a qual já teci meus elogios num post anterior.
Não, não vou falar de Kafka! Na verdade é só uma pausa pra soltar um pouco do processo de trabalho envolvido na produção de uma página de quadrinhos. Tá certo que nem sempre eu uso tanto método, mas é bem interessante poder fazer a página em pequena escala – o tal thumbnail – e rascunhar as personagens, detalhes de cenário, a composição. Em breve posto o resultado.
