Posts tagged with ilustração

Le “grand” petit Nicolas

June 24th, 2010

Bom se surpreender qdo não criamos expectativa. Recentemente um colega de trabalho me passou alguns filmes fora do circuito “blockbuster”. Um deles foi o francês Le petit Nicolas. Descobri mais tarde – por outro colega da mesma empresa – q o filme é uma adaptação de um personagem criado por um dos autores do Asterix – René Goscinny – e o ilustrador Sempé. Filme leve, bem feito, divertido, muito bom! Vai aí a dica! Para conferir o original, basta visitar o site do personagem e, embora o traço seja bastante solto, é impossível não associar os desenhos aos atores em cena.

“Drawing to myself” e o mês da copa

June 6th, 2010

Existe um perigo quando uma atividade começa a virar rotina: tornar-se um fardo, um peso, uma obrigação. Trabalho, por exemplo. Muita gente se queixa do trabalho pois na maioria das vezes as pessoas trabalham por… obrigação. Aí não tem jeito, ou alguma coisa muda ou então é insatisfação o dia todo, toxina pelo corpo afora, antipatia gratuita, mal-humor aos tubos e doença. Quem trabalha com arte ou com o que gosta pode não sofrer – ou sofre pouco – disso. Mas não estão imunes, isentos. Eu me pego algumas vezes entrando na roleta na obrigatoriedade onde td o q se faz é por algum motivo, externo, é claro. Acho q algumas relações tb sofrem disso. As coisas entram na rotina, não há mais novidade… e se desmoronam. Então resolvi fazer uns desenhos pra mim. Sem necessidade de ter cliente pra captar, sem salão de humor pra participar, só pra curtir. E talvez seja aí q mora um dos remédios pra tirar o peso da obrigação: fazer algo só por fazer, pra curtir, pra experimentar sem correr atrás de resultados. E, não duvidem, mesmo as coisas q a gente faz sem motivo podem despertar o outro, mas isso é consequência. O exercício aqui não é este.

Há muito tempo atrás, qdo ainda morava em São Paulo, fiz duas ilustrações baseadas em um esporte q nunca pratiquei na minha vida: futebol. Não sei nada, nada vezes nada, nada dividido por nada. Mas gosto das imagens. Gosto das fotos e das filmagens em câmera ultra-lenta. Talvez porque nelas é possível ver a linha de ação, a anatomia, a composição. E isso não acontece apenas no futebol, mas em todo esporte. A figura humana em ação. A perfeição da máquina humana superando limites. Bom, eu coloquei essas ilustrações no meu flickr e até hoje me rendem retorno. Meses atrás vendi os direitos de publicação das mesmas para fazer pôster. Há algumas semanas o editor de uma revista da Venezuela, a Olimpicas, me pediu para usar as mesmas imagens para ilustrar alguns contos – o exemplar da mesma deve chegar para mim em breve. Além disso, a revista de arte IdeaFixa publicou meu trabalho na edição deste mês, q trata de futebol.

Futebol

Pra terminar, o título deste post é uma brincadeira com a música do Billy Idol, Dancing With Myself, só pra mostrar q tem horas em q a gente deve  fazer coisas consigo e “prassigo” mesmo. Tá lá na letra:

Oh dancing with myself | Oh, oh, oh dançando comigo mesmo,
Oh dancing with myself |  Oh, oh, oh dançando comigo mesmo,
Well there’s nothing to lose  | Bem, não há nada a perder
And there’s nothing to prove |  E não há nada a provar,
I’ll be dancing with myself |  E estou dançando comigo mesmo

Este é mês da copa. Tá bom, demagogia vai rolar solta, promessas, reclamações, coisas estas q nos fazem diferentes dos outros animais, mas eu aproveitei o tema pra desenhar pra mim mesmo… Segue aí a ilustração.

Futebol

Ilustrar 13

November 3rd, 2009

Bom, para os amantes e/ou curiosos da ilustração, há um bom tempo já rola no meio uma revista em PDF q reúne um material muito bom sobre ilustradores da velha e da nova guarda. Nesta edição, tanto a capa qto a primeira matéria são de um cara q eu conheci nos bancos da universidade. O garoto já era um prodígio no lápis e papel e ao pegar o photoshop pela primeira vez não parou mais: Thiago Hoisel. Na edição tem tb o Montalvo e o Spacca, dois caras das antigas e q continuam mandando muito bem. Detalhe: a revista é gratuita, aproveitem!

ilustrar13

Sexo, internet e ilustração

October 24th, 2009

Este é o blog de um ilustrador, muito embora eu não tenha publicado muito meus trabalhos na área. Boa parte da “desculpa” se deve à minha adaptação ao novo trabalho, sobrando pouco tempo para produção extra. Pelo menos até agora. Recentemente fui procurado para fazer uma ilustração para um site… pornográfico! O cliente queria trabalhar sensualidade sem vulgaridade, com toques de humor. Achei a proposta interessante. Não sou santo, nem puritano. Topei pois não vi baixaria no trabalho e o site – apenas uma página de cadastro até o momento – ficou bastante elegante. Ao invés de publicar apenas a ilustração final, resolvi mostrar algumas imagens do processo, certo?

Do briefing, fiquei sabendo de um lugar em Amsterdam (sempre Amsterdam, hehehehehe),  chamado Red Light District, que vive em função do sexo, inclusive com vitrines onde as mulheres exibem suas curvas e formas aos transeuntes. A ideia era fazer uma cidade e chamá-la Camsterdam, aliás este é o nome do site. Como não haveria muito tempo para fazer uma cidade nos moldes das que já fiz para o Globo.com, optamos por uma rua e duas personagens: um cafetão (que é o prefeito da cidade) e uma mina segurando uma placa com a contagem regressiva para o lançamento do site. Diante das informações iniciais, parti para os esboços:

layout_ilustracao01layout_ilustracao02layout_ilustracao_cidade

Fiz então duas propostas de “girls” e um cafetão no estilo BlackEyedPeas, além de um estudo para a tal rua de Camsterdam. O cafetão havia ficado muito simples e era uma personagem que o cliente queria apostar muito. Algumas observações sobre a mina foram feitas e após mais referências, cheguei ao perfil das personagens:

personagens -Camsterdam

Aprovados os layouts, vetorizei e trabalhei as cores no Illustrator, separando cada objeto para facilitar o trabalho do Pouzada, o designer q trabalhou no projeto e meu contato com o cliente.

Camsterdam01

Trabalhei com cores berrantes, “falconianas” para o cafetão e carreguei nos vermelhos para o fundo, mas o cliente sugeriu modificações para as cores utilizadas, bem como a posição da placa (q ficou estranha atrás da cabeça da garota) e outros detalhes.

Abaixo, o trabalho finalizado e já aplicado ao site, q pode ser conferido no endereço Camsterdam.net:

Camsterdam

Um dia cheio

August 29th, 2009

A sexta-feira não começou muito bem. Confesso q certos acontecimentos ainda me abalam, por mais q eu já tenha passado por situações semelhantes, mas o dia foi passando e a energia do dia acabou mudando. Ao chegar em casa percebi dois pacotes estranhos e pelo formato imaginei se tratarem de… livros! Eu ainda gosto de receber cartas, encomendas, gosto de correio. E os pacotes eram presentes de mim para mim mesmo. Um deles foi um livro indicado por minha terapeuta, chamado Sincronicidade – O caminho interior para a liderança. A sincronicidade é um fenômeno q existe muito antes de levar este nome, trata-se dos eventos, ocorrências, as tais coincidências q preenchem nossas vidas. Somos alvo delas de forma inconsciente e cabe a cada um tomar consciência da sua existência. É bem mais que isso, com certeza, mas é o q posso adiantar.

O segundo pacote na verdade trouxe a colheita de um plantio iniciado no começo deste ano. Aliás, 2009 tem sido pra mim um ano de lavoura, de semeadura. E como já foi dito, “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. O segundo semestre vem me trazer os frutos de um primeiro carregado de trabalho. Há um tempo publiquei uma foto da minha prancheta repleta de desenhos – charges e tiras – para um projeto editorial da editora Salesiana, chamado Radar. Entreguei antes de entrar de férias e esperava ansiosamente pelo meu primeiro livro ilustrado. Quem me conhece sabe q sempre gostei de livro, de projeto gráfico, de capa bem feita, de ilustração editorial… Não é todo dia q meu nome sai na folha de rosto uma publicação… Emocionado e feliz é pouco.

radar_sustentabilidade_caparadar_sustentabilidade_folha_de_rosto

Seguem algumas das charges e das tirinhas realizadas para a publicação:

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E fazendo tb a divulgação:

Radar Sustentabilidade – A economia mais humana
de Elizabeth Oliveira
Editora Salesiana, 2009.

Antes tarde…

July 6th, 2009

… q nunca. Acabei me passando e esqueci de postar uma premiação que me deixou muito feliz por estes dias. Consegui emplacar mais um trabalho, desta vez um cartum, no I Salão de Humor de Juiz de Fora. Em um post antigo eu publiquei um “croqui” da ideia, misturado a traços, manchas e riscos. Resolvi investir e ampliei o desenho. Cheguei  a mostrá-lo em outro post, mas agora o cartum q só havia estado na minha cabeça e na prancheta, ganhou outros ares e me rendeu uma premiação mais que bem-vinda!
Cartum lenhador

O último post… ou a sensação de dever cumprido

June 10th, 2009

O título do post não é para assustar.  Este é o último post do meu primeiro semestre. Junho já vai se aproximando da metade e 2009 também. E um saldo bastante positivo até agora. Além de uma batelada de ilustrações para a globo.com, neste ano assumi dois grandes projetos de ilustração/quadrinhos. Posso comentar finalmente sobre um deles, pois encerro minha participação em breve. No começo do ano, graças a um cartum publicado no blogdosquadrinhos, uma representante da Editora Salesiana entrou em contato comigo e me convidou para participar ilustrando um dos volumes de um projeto chamado Radar, uma série de livros que aborda temas atuais. Fechamos contrato e desde então passamos ao trabalho. Foram 10 charges e 10 tirinhas. Parece pouco, mas quando você tem de tirar humor de conteúdos como sustentabilidade, blocos econômicos, empregos verdes, biocombustíveis, dentre outros assuntos, e ainda agradar o autor, precebe-se que a tarefa não é fácil.

Eu queria muito que este trabalho finalizasse em meados de junho. E aconteceu. Entrego as últimas imagens e saio de cena para um descanso de 4 dias, porque a fila anda e tenho bastante coisa pra tocar. E mais uma vez, sinto a sensação de ter feito a minha parte, a sensação de dever cumprido.

Ilustrações Série Radar

Desenhando para si mesmo

May 31st, 2009

Comentei com uma colega da empresa q para descansar do meu trabalho com ilustração eu… desenho! Mas é diferente. Quem é desenhista sabe disso. Nestes desenhos para mim eu não me preocupo tanto com certos rigores, brinco um pouco mais, me satisfaço com rabiscos inacabados, manchas de teste de aquarela, borrões de tinta nanquim. Podem não chamar a atenção de mais ninguém, mas são minha terapia, meu escape e laboratório. Algumas vezes pode sair daí a ideia para um novo trabalho ou uma saída gráfica para um problema, uma inovação… ou apenas um monte de riscos q me deixam feliz.

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Pinta como eu pinto?

May 16th, 2009

Voltei a “pintar”. Pelo menos, brincar com as tintas. Aproveitei q ainda tenho uns restos de aqualine – eu sei, é inferior, mas é o q eu tenho no momento – da época em que ainda morava em Salvador e uns tubos de aquarela do período da faculdadade (e tome tempo!!). O papel é o canson (branco, o melhor), a opção mais acessível para quem quer se aventurar no mundo das tintas líquidas.
“Sofro” de dois problemas q atormentam boa parte de ilustradores, cartunistas e coloristas: auto-cobrança (não sei se tem hífen) em demasia e medo de experimentar. E olhe q ainda tenho um terceiro (saber ouvir críticas, mas isso fica pra outro post). Entretanto dizem q até coco amadurece, então tenho chance. Participar de salões de humor é um bom exercício. Lembro-me q foi por este motivo q comecei a treinar alguma técnica de colorização. Fiz uns testes e acabei participando de alguns concursos e ganhando outros. Mas se vc não se aperfeiçoa, logo fica pra trás ou acaba se deixando ficar pra trás. E participar de salões implica uma coisa: ter ideias. Há um bom tempo não produzia cartuns. Acabei focando muito nos quadrinhos e esqueci este outro universo. No feriado de Tiradentes tive um daqueles raros surtos de ter ideia atrás de ideia e quase não dormi nestes dias. Como executar sempre demora mais do q pensar, acabei registrando rapidamente algumas dessas num caderno de esboços e outras confiei à minha memória – o q não é bom, pois se ela for RAM, já era! Isso é importante, pois nem sempre a gente tem ideias o tempo todo, ou com regularidade. Há os dias do bloqueio, do branco, do “não consigo pensar em nada q preste”, dentre outros. É aí q aquele seu caderno de rabiscos vem salvar a pátria e vc só precisa se concentrar em ampliar os esboços e… finalizar. E é neste momento q aqueles medos q citei no começo do post se apresentam. Mas como estou um pouco mais maduro, eles vêm… e vão. Desenhar, pintar, tem de ser prazeroso, caso contrário não vale à pena. Tenho conseguido bons resultados gráficos, ou pelo menos tenho gostado do que produzo, o q já é um avanço. E aqui vai o recado: se vc não gostou do resultado, não precisa ficar dizendo “que bosta de desenho”, “que merda de trabalho”, “que lixo”. Isto não ajuda em nada. Diga apenas q não gostou do q fez e pronto. Descanse, deixe o desenho pra lá um pouco, vá tomar um ar, uma água, qq coisa. Não precisa se humilhar ou atacar aquilo q vc mesmo fez. Demora pra conseguir isso, eu ainda estou no processo. Mas os salões ajudam, e por quê? Se vc não gostou do que fez, aquele desenho não vai ficar em seu poder porque vc vai mandar pelos correios para o concurso, ou seja, vc vai se desfazer daquilo q não ficou bom… na SUA opinião. Se os outros vão achar tb ruim, não é mais com vc, mas se for apenas o seu perfeccionismo, pelo menos vc fez, arriscou, participou. Ganhar, perder, nesta hora, não é o mais importante, pelo menos o seu desenho não foi parar na lata do seu lixo ou na sua gaveta, brigando com tantos outros. Vc deu oportunidade a si mesmo e ao seu desenho. Pensem nisso… pelo menos eu venho pensando mais a respeito.
E aqui vai uma imagem direto da prancheta. A ilustração vertical foi a primeira. E já notei uma melhora quando fiz a segunda, a horizontal. É fascinante notar q, se eu tivesse interrompido o processo da pintura da primeira e desistido, jamais eu veria a segunda imagem…
Bom, parece um post meio auto-ajuda, mas antes de sermos artistas, somos seres humanos, e boa parte de nós, independente da atividade q desenvolvemos, sofre das mesmas coisas.

Cartuns