Muito tempo sem postar, coisa comum para boa parte das pessoas que mantém um blog. Algumas coisas não andavam bem, já outras decolaram. Dentre elas, a grata surpresa de estar na capa da nova edição do MSP, q estará à venda na bienal de São Paulo, dias 14 e 15 de agosto.
A capa, seguindo o modelo da edição anterior, traz os personagens do Maurício nas representações dos artistas convidados. Nesta, o Chico Bento escolhido foi o meu.
Agradeço ao Sidney Gusman pelo convite. E q venham novos projetos! Eu adorei o Anjinho lá no topo da capa, hehehe.
O HQMix está na sua 22ª edição. Este ano a comissão disponibilizou um blog para comunicar ao público a lista de selecionados, bem como outras coisas. Divulgaram a lista aos poucos, em doses homeopáticas e, para fechar a seleção, as categorias de desenhista e roteirista. Para minha (boa) surpresa, meu nome tá lá na categoria desenhista revelação com o trabalho q fiz no ano passado, o livro Ombros de Gigantes.
A seleção, como sempre, tem muito fera. Fica aqui desde já os parabéns a todos os colegas de traço q conheço (e os q nao conheço tb!) e agora é torcer pelos resultados. Não tenho a data da cerimônia, mas qdo rolar, publico aqui.
Há algum tempo atrás o Sidney Gusman, do UniversoHQ, me ligou para fazer um convite. Pediu sigilo da minha parte, mas ele próprio já revelou no Twitter e no próprio site do UniversoHQ saiu a lista dos novos 5o artistas que participarão da segunda edição do livro comemorativo do Maurício de Souza, o MSP+50. Dentre eles, o “baiano de criação” aqui, ao lado de outros baianos mais autênticos, como Hector Salas, Thiago Hoisel e Luís Augusto. Mas tem tb muitos outros nomes, ótimos profissionais.
Resolvi fazer uma história com o Chico Bento e o Zé Lelé, figuras presentes na minha infância, e trabalhei numa linha que lembra dois outros trabalhos meus – Dois Sóis e A Serpente e a Borboleta – com um traço mais “rústico”, influenciado pela xilogravura tb. Publico alguns estudos que fiz e o que posso adiantar é que fiz uma história com coisas de que gosto muito… Pra matar a curiosidade é só esperar pelo lançamento do livro, previsto para o segundo semestre de 201o, em São Paulo.
Há alguns posts atrás comentei q estava lendo um livro sobre roteiros chamado Manual do Roteiro, de Syd Field. Além dele, comecei um outro, a Jornada do Escritor, de Christopher Vogler, bem mais raro q o primeiro, mas confesso q o livro de Field me cativou mais. E por quê? Talvez pela linguagem mais direta, pelas “lições” mais objetivas, sem rodeios. E apesar de o título soar como manual de instruções, daqueles q evitamos ler quando compramos um eletrônico novo, descobri um livro fascinante. Ele, como a grande parte dos livros, não vai me ensinar o que escrever nem como escrever. Em um dos diversos ensinamentos mais “psicológicos”, o autor comenta sobre programas de informática que ajudam a escrever:
No fim das contas, é você quem vai estar encarando a tela vazia do computador. A maioria de nós tem a tendência de procurar ajuda fora de nós mesmos, seja sob a forma e um professor, um livro, um curso, uma ferramenta ou qualquer outro tipo de recurso. É importante investigar e explorar alguns, simplesmente para aperfeiçoar suas habilidades como escritor. Mas a verdade é que tudo o que você precisa, todos os recursos que você procura para ajudá-lo e guiá-lo estão dentro de você.
Programas para escrever roteiros vão ajudá-lo a escrever, mas não vão dizer o que escrever ou como escrever. Não importa que guia você procure, que ajuda você consiga, é em você que tudo sempre termina.
Porque você é seu próprio professor.
Bem, nem comentei q estou de passagem pela “terrinha”, vim passar Natal e Ano Novo por aqui. Vim tb rever meus amigos, rever lugares, paisagens, emoções. Hj me encontrei com Magda, uma graaaande amiga (de pelo menos uns 1,8m, mas não apenas por isso) q me deu vários presentes, dentre eles dois livros: uma coletânea de Calvin&Haroldo e um livro q já li: Caim, de Saramago. Felizmente ela não colocou dedicatória no segundo, o q me permitiu poder trocar por um outro q estou na caça há mais de mês: Manual de Roteiro, de Syd Field, recomendado por um colega quadrinhista paulistano e um roteirista baiano. Aliás, não posso falar por outras áreas, mas a minha – quadrinhos, animação – não conta com uma bibliografia muito vasta, o q é bom, pois não se precisa escrever muito quando a base já foi escrita. O q acontece é gente “reinventando a roda” e aí uns copiam aos outros. Manual de Roteiro é pedra fundamental na área e fiz a compra certa. Qdo folheei este livro numa livraria lá no Rio, fui direto ao último capítulo. Queria saber o final da história logo e adorei o q li. Dá vontade de transcrever o capítulo na íntegra, são apenas 3 páginas. Se vc tiver oportunidade ou curiosidade, qdo vir este livro, leia o capítulo 18, o último. Vou apenas (tentar) transcrever trechos q me chamaram a atenção pela força e objetividade, uma quase “cassetada”, uma ” boa tijolada” no peito:
Todo mundo é escritor.
É o que você vai descobrir. Todo mundo a quem você mostra o seu roteiro terá uma sugestão… Depois eles lhe contarão a grande ideia que eles têm para um roteiro.
Uma coisa é dizer que vai escrever um roteiro, outra é escrevê-lo.
Não julgue o que você escreveu… Julgamentos de “bom” e “mau”, ou comparações entre isto e aquilo não têm sentido na experiência criativa.
Seu roteiro é o que é.
Gostaram? Tem mais, muito mais. O autor tb transcreveu o lema da McDonald’s Corporation resumido num cartaz chamado “Avance” q soou como um hino pra mim. Vamos a ele:
Nada no mundo pode substituir a persistência
Nem o talento; nada é mais comum que homens talentosos sem sucesso.
Nem o gênio; gênio sem recompensa é quase um provérbio.
Nem a educação; o mundo está cheio de negligentes educados.
(aí vem a melhor parte) Só a persistência e a determinação são onipotentes.
…
Dá até vontade de tatuar isso no corpo (melhor q tatuar nome de namorada ou namorado). E pra terminar:
Quando você completar o seu roteiro, você terá alcançado um tremendo feito…
Ostente isso orgulhosamente.
Talento é um dom divino; ou você tem ou não tem. Mas isso não interfere com a experiência de escrever.
Embora o livro do qual participei - Ombros de Gigantes – não tenha sido produzido pra venda, isso não foi motivo pra ficar sem comentários. O site Omelete e o UniversoHQ publicaram notas divulgando nosso trabalho. O A Tarde on line tb falou a respeito o blog Gibiteca.com repassou a matéria original do UniversoHQ . Quem desejar conferir, basta clicar nos links abaixo:
Bom gente, não será ainda q o Ombros de Gigantes vai ter lançamento, todavia vai rolar um de um outro livro ilustrei (fiz charges e tirinhas) durante este ano e q já comentei aqui no blog, é o Radar Sustentabiliade, da Ed. Salesiana.
Abaixo segue o convite. Quem estiver no Rio de Janeio neste período, e quiser conferir, estarei lá em Botafogo ao lado da autora. Quem puder divulgar, passe adiante.
Demorou… mas saiu. Pior é q eu até tinha muita coisa pra comentar, mas agora… Acabei falando sobre o projeto num post anterior, publiquei a capa, mas nada se compara à sensação de ver o trabalho pronto.
Vamos ao “release”: Ombros de Gigantes é um livro de 104 páginas, sendo q destas, 80 são de quadrinhos. Conta um pouco da História da Astronomia focando na colaboração dos gregos, de Johanes Kepler, Galileu Galilei e Isaac Newton para a ciência dos astros. Contém ainda um capítulo q fala sobre a Astronomia no Brasil, atividades lúdico-pedagógicas (como a construção de uma luneta de Galileu), além da apresentação formal dos conteúdos (q foram apresentados na forma de quadrinhos) e cronologias ao final do livro.
E o lançamento? Noite de autógrafos? Onde encontro para comprar? Bom, como este foi um trabalho fruto de um edital, esta primeira impressão foi toda voltada para distribuição em escolas do território nacional, ou seja, pelo menos por enquanto não haverá festa de lançamento, noite de autógrafos, nem tampouco o livro será vendido em livrarias… É uma pena, mas agora começa a fase da captação de novos recursos. A verba destinada pelo edital cobriu a produção do livro e sua primeira impressão. Estamos à procura de editoras q se interessem em investir no potencial de um novo segmento de mercado para os quadrinhos: transformar ciência em hq! Os poucos exemplares q ficaram comigo servirão para a tarefa de “vender o peixe” para editoras e tornar o trabalho acessível ao público, com boa distribuição.
O q eu poderia falar sobre esta experiência na minha vida? Uma coisa sobre a qual estive pensando nos quase nove meses mergulhado no trabalho é q todos nós q lemos quadrinhos e decidimos, um dia, trabalharmos com isso, é q no primeiro momento somos aspirantes a quadrinistas, ou seja, estamos motivados, interessados, estimulados a produzir. Entretanto muitos sabem, dos tantos q começam, poucos terminam, finalizam seu trabalhos. Para mim, a primeira coisa q se deve esperar de alguém que queria fazer quadrinhos é começar, desenvolver e, mais importante, terminar uma história. Neste momento não importa se a trama é boa, se é marcante, se é chata, enfadonha, se o traço está bom, se os enquadramentos são interessantes, se vai ser colorida ou pb… Comece, desenvolva e termine o q quer q esteja fazendo! Qdo estes três verbos estiverem presentes na sua vida, aí sim, dá pra passar de aspirante a quadrinista. A partir deste momento o desafio não será começar, desenvolver e terminar uma história, pois isto vc já provou (a si mesmo!) q é capaz. A estrada agora é outra, tão longa, tão árdua, mas ao mesmo tempo maravilhosa…
Gostaria imensamente de poder dividir o fruto de quase nove meses de trabalho silencioso com amigos e colegas de traço, mas por enquanto não será por agora. Havendo qq coisa nova, postarei aqui. No mais, o q dá pra fazer é publicar uma foto e um “vídeo” feito toscamente para mostrar o interior do trabalho.
Convicção? Dogma? Superstição? Crendice? Não, é mais simples: preguiça.
O bom das regras é poder quebrá-las. Fiquei sabendo q um colega do meu novo trabalho relê o Ensaio sobre a cegueira, de Saramago, uma vez por ano… Eu já li o livro, confesso q ele está na diminuta lista de livros q já devorei, isto é, aqueles livros q a gente para até de comer e acorda cedo só pra continuar a leitura. Voltando à quebra de regras, estou relendo um dos livros mais importantes da minha vida. Um daqueles q, se me perguntassem se a minha existência valeu a pena, certamente diria q sim por ter me encantado com o relato do famoso algebrista Beremiz Samir, o Homem que Calculava. A “apresentação formal” ao livro foi feita tb por um professor (refiro-me “tb” pois foi graças a uma professora q fiquei conhecendo a história dos 300 de Esparta, outra coisa q ficou gravada na minha alma e q acabou virando “homenagem” qdo fiz a sátira 303 de Esparta, isto é, a participação dos professores em nossas vidas é algo tão crucial qto a presença de nossos pais), qdo fazia o segundo ano do ensino técnico, em Salvador. Foi numa aula de Física q Wanderlei, o professor da matéria, resolveu entreter os alunos apresentando o q mais tarde tomei para mim qdo desejo fazer uma brincadeira instrutiva: uma higiene mental. Tal como um contador de histórias, Wanderlei discorreu sobre o clássico problema da partilha de 35 camelos entre os 3 herdeiros de uma família. Para resolver a contenda, utilizou-se o calculista de um artifício q não revelarei aqui, na esperança de q o leitor se sinta curioso e corra atrás da história completa. Este é apenas um dos vários e singulares problemas propostos no livro, apresentados pelo autor na forma de romance muito bem escrito. Relendo a obra, lembrava-me q, embora seja pela porta da Matemática q a maioria dos interessados acabam conhecendo o texto do escritor brasileiro fantasiado de árabe, trata o livro tb de assuntos bastante humanos. Mesmo aquele q tenha repulsa pela ciência de Euclides e Pitágoras, poderá encontrar nas páginas material suficiente para refletir acerca de temas como caráter, moral, valores, ou seja, a formação do homem de bem. Há quem considere a leitura de O Homem que Calculava indicada para o público juvenil. Quem dera a juventude pudesse sorver mais das verdades contidas neste livro, e mesmo os adultos não devem se sentir menos interessados, uma vez o conhecimento não tem idade. Sempre se diz q a releitura de qq obra nos faz mergulhar mais profundamente e descobrir coisas novas entre as linhas do texto e não serei eu a discordar.
Não poderei encontrar o escritor, o carioca Júlio César de Melo e Sousa, nesta vida, mesmo porque ele faleceu 3 anos antes de eu nascer, mas sou um dos muitos tocados pelo seu texto magistral, sua imaginação prodigiosa e seu fascínio pela educação.
Vida longa ao legado de Malba Tahan (Alá o tenha em sua glória!). Uassalã!