Malba Tahan e eu
October 20th, 2009Não releio livros.
Convicção? Dogma? Superstição? Crendice? Não, é mais simples: preguiça.
O bom das regras é poder quebrá-las. Fiquei sabendo q um colega do meu novo trabalho relê o Ensaio sobre a cegueira, de Saramago, uma vez por ano… Eu já li o livro, confesso q ele está na diminuta lista de livros q já devorei, isto é, aqueles livros q a gente para até de comer e acorda cedo só pra continuar a leitura. Voltando à quebra de regras, estou relendo um dos livros mais importantes da minha vida. Um daqueles q, se me perguntassem se a minha existência valeu a pena, certamente diria q sim por ter me encantado com o relato do famoso algebrista Beremiz Samir, o Homem que Calculava. A “apresentação formal” ao livro foi feita tb por um professor (refiro-me “tb” pois foi graças a uma professora q fiquei conhecendo a história dos 300 de Esparta, outra coisa q ficou gravada na minha alma e q acabou virando “homenagem” qdo fiz a sátira 303 de Esparta, isto é, a participação dos professores em nossas vidas é algo tão crucial qto a presença de nossos pais), qdo fazia o segundo ano do ensino técnico, em Salvador. Foi numa aula de Física q Wanderlei, o professor da matéria, resolveu entreter os alunos apresentando o q mais tarde tomei para mim qdo desejo fazer uma brincadeira instrutiva: uma higiene mental. Tal como um contador de histórias, Wanderlei discorreu sobre o clássico problema da partilha de 35 camelos entre os 3 herdeiros de uma família. Para resolver a contenda, utilizou-se o calculista de um artifício q não revelarei aqui, na esperança de q o leitor se sinta curioso e corra atrás da história completa. Este é apenas um dos vários e singulares problemas propostos no livro, apresentados pelo autor na forma de romance muito bem escrito. Relendo a obra, lembrava-me q, embora seja pela porta da Matemática q a maioria dos interessados acabam conhecendo o texto do escritor brasileiro fantasiado de árabe, trata o livro tb de assuntos bastante humanos. Mesmo aquele q tenha repulsa pela ciência de Euclides e Pitágoras, poderá encontrar nas páginas material suficiente para refletir acerca de temas como caráter, moral, valores, ou seja, a formação do homem de bem. Há quem considere a leitura de O Homem que Calculava indicada para o público juvenil. Quem dera a juventude pudesse sorver mais das verdades contidas neste livro, e mesmo os adultos não devem se sentir menos interessados, uma vez o conhecimento não tem idade. Sempre se diz q a releitura de qq obra nos faz mergulhar mais profundamente e descobrir coisas novas entre as linhas do texto e não serei eu a discordar.
Não poderei encontrar o escritor, o carioca Júlio César de Melo e Sousa, nesta vida, mesmo porque ele faleceu 3 anos antes de eu nascer, mas sou um dos muitos tocados pelo seu texto magistral, sua imaginação prodigiosa e seu fascínio pela educação.
Vida longa ao legado de Malba Tahan (Alá o tenha em sua glória!). Uassalã!







