Existem pessoas q gostam de representar marinhas, outras preferem natureza-morta, há quem se apaixone por paisagens… Eu amo figura humana. Meu primeiro contato com sessões de modelo vivo aconteceu ainda qdo morei em São Paulo entre 2005 e 2006. Comecei a frequentar sessões públicas no Centro Cultural São Paulo e aproveitei o máximo que pude. Qdo vim morar no Rio, perdi completamente o contato com a matéria. Não sabia de nenhum lugar onde pudesse praticar nos moldes q treinava em Sampa. Nunca tive orientador, professor, instrutor. Tudo foi meio na “raça”, olhando livros, internet e, é claro, rabiscando muito. Tenho lá as minhas falhas, meus vícios, meus “cacoetes”. Mas fiquei bastante tempo parado. Trabalhando na 2DLab ao lado de tanto desenhista, resolvemos “criar” um grupo para a prática do desenho de modelo vivo e estamos há um mês nos reunindo sempre às segundas para treinar. Sugeri ao grupo o mesmo esquema q funcionou comigo qdo praticava na capital paulista: dividimos o tempo em períodos e fazemos desenhos de 30″, 60″, 5 min e 10 min. Os primeiros tempos (30″ e 60″) servem como aquecimento, para “soltar a mão”, captar o gesto, a linha de ação, a essência da figura. Para animadores é excelente. Os módulos de 5 e 10 min são para desenhos um pouco mais elaborados, para dar atenção ao detalhe. Um colega de trabalho tem um livro fantástico, The Natural Way to Draw, com diversos exercícios e práticas para desenvolver o olhar sobre a figura humana. No livro existe um exercício q eu chamo de “primeiro kata”, o desenho cego, isto é, desenhar sem olhar para o papel, apenas para o modelo. Angustiante, cansativo, desconfortável… Não espere q saia coisa q preste nos primeiros (e segundos, e terceiros…) exercícios. Vai parecer um pouco com Picasso, mas a ideia, pelo menos na minha opinião, é desenhar o q se vê, e não o q se pensa q se vê. Não vou entrar em discussão profunda, mesmo porque sou leigo na teoria. O q posso dizer é q este tipo de exercício me força a ver com mais critério, quase q “scannear” a figura, prestando atenção a detalhes q antes me passavam despercebido. Uma coisa é eliminar o detalhe conscientemente, outra é eliminar por preguiça, desatenção ou mesmo ignorância. Eu confesso q num certo momento começa a ficar divertido, como se uma parte do meu cerébro, aprisionada pela outra, a razão, ganhasse a liberdade de expressão, sem meu juízo de cobrança. Um “pacto” entre os 2 lados do cérebro.
Abaixo segue o resultado do último encontro. Começo com os desenhos rápidos, em poses de 30 e 60 segundos. Nas poses de 5min resolvi praticar o desenho cego. Nas poses de 10min, fiz uma média de 2 a 3 desenhos da mesma posição. Isto pra ver o modelo de ângulos diferentes ou simplesmente estilizar uma pose.






No blog da galera da 2DLab, o Pausa para o Desenho tem uma seleção dos meus colegas, muito bons por sinal!