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	<title>MarlonTenório.com/BLOG &#187; números irracionais</title>
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		<title>Do fácil infinito ao caprichoso impossível – II</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 02:10:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marlontenorio</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>No <em>post </em>anterior vimos uma simples adição cujos elementos foram elevados à potência unitária. Pois bem, desta vez, vamos tomar a adição 1+2 e elevar suas parcelas ao quadrado, isto é, <em>1<sup>2</sup>+2<sup>2</sup></em>. Agora teremos, após efetuarmos as potenciações, <em>1+4</em> e, finalizada a soma, 5. Pergunta-se: existe número inteiro que, elevado ao quadrado, resulte 5? Se o nosso conjunto universo compreendesse os números irracionais, sim, seria a raiz quadrada de 5, pois este número elevado ao quadrado resulta no número 5. Mas não é o nosso caso, pois ele não é inteiro, e sim, irracional. Portanto, se escrevermos o seguinte problema: <em>x<sup>2</sup>+y<sup>2</sup> = z<sup>2</sup></em>, sendo<em> x=1</em> e <em>y=2</em>, não obtemos um número inteiro z que satisfaça à equação. Continuamos com uma simples adição, mas ao complicarmos um pouco seus elementos, chegamos à conclusão que a operação vai-se tornando mais trabalhosa.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1321" title="irracional" src="http://www.marlontenorio.com/blog/wp-content/uploads/irracional1.jpg" alt="" width="500" height="356" /></p>
<p>Vamos experimentar com <em>x=3</em> e <em>y=4</em> para ver o que acontece. 3<sup>2</sup> e 4<sup>2</sup> resultam, respectivamente, 9 e 16. Quando somados, perfazem 25. Novamente perguntamos: existe número inteiro que, elevado ao quadrado, resulte 25. Neste caso a resposta é positiva, o número 5. Então, para esta situação, se <em>x</em> e <em>y</em> forem elevados ao quadrado, existe um número <em>z</em>, inteiro, que, elevado à potência 2, responde à nossa pergunta. O leitor atento deve ter percebido que a expressão <em>x<sup>2</sup>+y<sup>2</sup> = z<sup>2</sup></em> é velha conhecida desde os tempos ginasiais. Basta nos recordarmos que “<em>a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa</em>”, isto é, estamos falando do próprio <strong>Teorema de Pitágoras</strong>. Os números 3, 4 e 5 são considerados um <em>trio pitagórico</em>. Outro exemplo de trio pitagórico é formado pelos números 5, 12 e 13. Veja: <em>5<sup>2</sup>+12<sup>2</sup> = 13</em><em><sup>2</sup></em>, isto é, 25+144=169.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1322" title="trio_pitagorico" src="http://www.marlontenorio.com/blog/wp-content/uploads/trio_pitagorico1.jpg" alt="" width="500" height="616" /></p>
<p>Aqui chegamos à conclusão de que não é assim tão fácil encontrar 3 números que satisfaçam à equação <em>x<sup>2</sup>+y<sup>2</sup> = z<sup>2</sup></em>, como era tranquilo achar 3 números que respondessem à equação <em>x<sup>1</sup>+y<sup>1</sup> = z<sup>1</sup></em>. É difícil, todavia, não impossível nem tampouco finito, ou seja, o conjunto formado por trios pitagóricos também não tem fim, mas é mais trabalhoso encontrar seus elementos. O próximo trio pitagórico (depois de 3, 4 e 5 e 5, 12 e 13), será 7, 24 e 25. Vamos às curiosidades? Reparem que, dispostos da forma como apresentei, os 2 últimos números de cada trio são consecutivos (4 e 5, 12 e 13, 24 e 25) e que os primeiros números dos trios são ímpares (3, 5 e 7). Euclides, um dos maiores estudiosos da Matemática, debruçou-se sobre o trabalho de Pitágoras e constatou que o conjunto de trios pitagóricos é infinito. Ele observou que a diferença entre dois quadrados sucessivos é sempre um número ímpar. Por exemplo, a diferença entre 16 e 25 (quadrados de 4 e 5, respectivamente) é 9. Entre 49 e 64 &#8211; quadrados de 7 e 8 &#8211; a diferença é 15. Para obtermos um trio pitagórico, basta encontrar um número ímpar resultante da subtração de dois quadrados que também seja quadrado! Reparem que realmente a subtração entre 16 e 25 resulta um quadrado perfeito e ímpar, isto é, 9, mas o mesmo não acontece com a diferença entre 49 e 64, pois 15, embora ímpar, não é quadrado perfeito. É muito fácil tomar 2 números consecutivos e elevá-los ao quadrado. Subtrair os resultados das potenciações obtidas também não oferece sacrifícios. Difícil é encontrar facilmente um número que satisfaça, ao mesmo tempo, a condição de ser ímpar e quadrado perfeito. Seguindo esta linha de raciocínio, o próximo trio pitagórico teria como primeiro elemento o número 9 (número ímpar da sequência 3, 5, 7). Entretanto a Matemática se mostra como um corpo orgânico, difícil de ser reduzido, domado facilmente. Não haveria trio em que o menor dos números seja par? De fato existe e é formado pelos números 8, 15 e 17. Este terno encontra ressonância num outro, formado por 12, 35 e 37 e muitos outros, ou seja, nestes casos, o menor dos números é par, todavia também é formado por 2 números ímpares (como no caso visto anteriormente). Existe uma regra para se encontrar ternos pitagóricos nos dois casos, mas este não é o objeto do nosso trabalho.</p>
<p>No último <em>post </em>da série vamos esquentar a discussão, elevando os elementos da nossa equação original<em> x+y=z</em> ao cubo e outras potências e veremos que as coisas começam a ficar “exponencialmente” mais complicadas. Até mais!</p>
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