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“Mas os livros que em nossa vida entraram…”

January 3rd, 2010

Voltando de Salvador, chegando hj e já retornando ao trabalho amanhã. Tudo muito rápido, muito intenso. Mas falemos de coisas boas, como os presentes q ganhei nesta viagem – e olha q nem esperava tanto. E dentre estes presentes, livros, livros…

Um deles, Dream Worlds, veio direto dos Estados Unidos, trazido por minha amiga Fernanda, q hj estuda por lá. Conheci o livro na 2DLab e me apaixonei imediatamente. Ele traz diversos estudos de composição de obras consagradas dos longas da Disney, como Rei Leão, Hércules, Alladin – uma raridade, pois não sei se existe um livro específico sobre este desenho, por exemplo – Mullan, dentre outros. Muuuuitos estudos de cenários, layouts de cena, imagens belíssimas, de fazer chorar. É, talvez, o livro MAIS belo q tenho e q se encaixa na categoria de “livros inspiradores”. Todavia ele não é como os conhecidos “A arte de…”, lançados ao mesmo tempo q um longa entra em cartaz. Neste, além de imagens raras – q não entram nos livros de arte dos longas – o autor ainda aborda a parte técnica de composição, câmera, ritmo… Sem dúvidas, vale a aquisição em todos os sentidos.

Outra amiga, Magda, me presenteou com uma coletânea do Calvin and Hobbes, magnífica. Não conheço ninguém q não goste de Calvin e Haroldo e eu não serei a exceção. Além do texto – q neste livro se apresenta em inglês, o q será um desafio e treino – eu amo a arte do Bill Watterson, o gestual da sua arte-final, a aquarela de suas árvores, as cenas cheias de vigor, vida e humor q ele faz. Tem um foreword do Charles Schulz – aquele do Snoopy – q sintentiza a “babação” de ovo q muitos nutrem pelo trabalho do Bill. Magda ainda me deu, “indiretamente”, dois livros sobre roteiro: um de Syd Field, Manual de Roteiro, q eu tou adorando e já comentei algo sobre o mesmo num post anterior, pois ele escreve de forma muito objetiva, sem enrolação; e um outro chamado O foco narrativo, uma indicação de um quadrinista paulista, Edu Mendes. Também para me ajudar na árdua tarefa de contar bem uma história.

Além destes, apoderei-me novamente de um outro q, por muito tempo, ficou longe de mim, descansando na estante da mesma Fernanda citada acima, lá em Salvador. Eu, no meu hobby por números, Matemática e outras coisa mais, conheci, qdo criança, um dos maiores enigmas matemáticos, de uma simplicidade quase ginasial na sua apresentação, mas q consumiu a mente de ilustres estudiosos da ciência de Euclides, esmagou o intelecto de muitos, deu novo significado e salvou a vida de outros. Refiro-me ao último Teorema de Fermat, transformado em documentário e livro q traz a trajetória dos homens envolvidos na demonstração do problema, uma batalha q levou mais de 3 séculos e teve seu final – feliz – em 1993, qdo o matemático Andrew Wiles finalmente apresentou a demonstração correta, utilizando-se de uma matemática talvez compreendida por uma meia-dúzia de pessoas. É incrível como coisas q se apresentam tão simples, tão modestas, são capazes de movimentar o pensamento humano e fazê-lo crescer em várias direções. Na busca da prova, acaba-se tendo de desenvolver várias áreas, diversos campos do conhecimento e, mesmo se ao final a demonstração não existir, basta olhar para o caminho trilhado e perceber o quanto se cresce sem se perceber. Nada, portanto, é em vão. O homem apaixonado melhora sua aparência, aprende uma língua ou passa a cozinhar, escreve ou lê mais poesia, torna-se mais gentil, mais atenciososo, tudo para conquistar a amada. E se ao final de todo o esforço, a musa o rejeita, ao invés de amargar a dor da perda, basta olhar o qto este homem aprende e evolui. Sem elas, a musa, a paixão, ele jamais teria dado tantos passos…

Pra terminar, meu irmão me deu uma caneca – adoro canecas! – com o melhor carinho q um tio babão pode ganhar.

O título deste post é parte da letra de uma música de Caetano Veloso, Livros, de q eu gosto muito. Segue mais da mesma:

… Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um…