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“Já pintou o verão…”

February 8th, 2012

Conversando com um amigo, falávamos sobre os equipamentos indispensáveis para sobreviver ao verão carioca. Eis um deles…

Verão no Rio

Eu e São João Batista

November 22nd, 2009

Quem me conhece sabe que eu não paro quieto, já tou envolvido em outro projeto, não sei se vai rolar, mas isso não é pra me preocupar agora. Então procuro aproveitar ao máximo. Como gosto de pesquisa e precisava ver como era o Cemitério de São João Batista, toquei o bonde pra conhecer a necrópole carioca. Confesso q é um tanto desconfortável, sei lá, estranho visitar um cemitério. Quase vazio, exceto pelos coveiros passando e um velório q estava ocorrendo no local. O lugar é enorme. Em vários momentos eram apenas eu e os silenciosos moradores, q, diga-se de passagem, tb disputavam cada centímetro quadrado do lugar. Era pra me esbarrar e pedir desculpas, mas eles pareciam não se incomodar com minha presença. Se fui atrevido ou inconveniente, confesso, não ouvi queixas da parte deles. Bom, pelo menos pra aliviar o “clima” estava fazendo sol, aliás, um causticante e escaldante sol vespertino e ainda estamos na primavera!

Uma coisa me chamou a atenção: dá pra ver o Redentor de lá. Quando cheguei a estas terras, morei um bom tempo em Botafogo. E era muito fácil ver a estátua no Corcovado de qq ponto do bairro. Eu tinha acabado de fazer o Todo Mundo Senta e fiquei empolgado com a ideia de um novo fanzine. Pensei em retratar o Cristo nos meus desenhos, de diferentes pontos da cidade. Bem, ideia não realizada, é ideia sem dono. Tempos mais tarde, o ilustrador Alarcão colocou a ideia no papel e retratou o Cristo de 36 pontos diferentes, seguindo um projeto similar ao já realizado com importantes marcos mundiais, como a Torre Eiffel e o Monte Fuji.

Fui ao S. João Batista para fotografar o lugar. Mesmo tendo o meu foco na pesquisa, impossível não se admirar com algumas coisas, ou dar espaço para outras interpretações. Posso citar pelo menos 3 coisas, todas dentro de um mesmo tema: Jesus. Vamos a elas:

1. Eu já visitei o Cristo no Corcovado. É monumental, titânico. Mas do cemitério, ele era menor que uma estatueta de mesa, um souvenir. De vários pontos, é possível ver q as estátuas de Jesus q ornam boa parte dos jazigos e túmulos “conversam” com o Redentor. Algumas ficam sensivelmente colossais, fruto da ilusão de óptica e da perspectiva. Algumas outras mostram o contraste da passagem de Jesus pelo planeta. Havia um conjunto de estátuas q mostrava a via crucis, a cena de Jesus carregando o peso de uma enorme cruz… ao fundo, ele mesmo, pequeninamente grandioso, abria os braços, como se fosse o dia da ressurreição. A bruma envolvendo a montanha reforçava a atmosfera…
2. Se o mesmo Redentor abre seus braços para a baía de Guanabara e assina um dos mais belos cartões postais do planeta, a mesma estátua “abençoa” a cidade dos mortos, um “condomínio” de vizinhos discretos, quietos, caladões. Dá a impressão de q todas as estátuas e cruzes ficam voltadas para ele…
3. Gosto qdo Jesus ganha novas interpretações. Uma das estátuas mostrava o nazareno na pose de crucificado, mas sem a desagradável cruz de madeira. Dessa forma, ele parecia mais um dançarino, uma coisa meio M. Jackson. Afinal de contas, tanto um qto o outro são ícones pops, hj habitando o mesmo terreno celestial. Quem quiser conferir uma re-interpretação do filho de Maria, dá uma olhada na animação abaixo:

Chega de papo. Vamos às imagens q comprovam o q disse acima: desenho do Alarcão para o Corcovado visto do cemitério e meu desenho de quando cheguei ao Rio e visitei o Educandário, na R. São Clemente; estátuas “dialogando” com o Redentor; a via crucis; e Jesus Jackson:

alarcao

educandario

ilusoes

jesus_e_jesus

jesus_jackson

Pequenino em terra de gente grande

October 8th, 2009

Terceiro dia no novo trabalho. É estranho, mas eu não deveria estar me sentindo do jeito q estou, pois embora tenha passado mais de 10 anos num único emprego, nos últimos 3 já estive em três lugares diferentes, todos aqui no Rio de Janeiro. Agora trabalho no centro da cidade. Depois de passar por Botafogo e Barra da Tijuca, estou experimentando o “centrão”. Já trabalhei em centro de cidade. Quando morei em Sampa, trabalhava na Sé. O cenário é bem característico: concreto, trânsito, barulho e… gente, muuuuita gente. O pior é q achei o centro do Rio mais sufocante. Um colega de trabalho, paulista recém-chegado, comentou q tinha a ver com a densidade em relação aos espaços. As ruas daqui realmente são mais apertadas e cada pedaço de chão é muito disputado. Atravessar as ruas na faixa é uma aventura quase carnavalesca, citando a muvuca generalizada das festas de Momo. Sinto-me pequeno. Não apenas pela opulência e a visão sem perspectiva causada pelos arranha-céus cariocas, mas dentro da sala de trabalho, dá pra sentir a grandeza do time com quem trabalho. Hoje rolaram aquelas perguntas: vc tem site? blog? msn? Dei meus contatos, peguei o dos colegas e o nível é muito bom, muito bom, mesmo. Tem gente com material fino, outros são “das antigas”, trabalhando para curtas de respeito e longas. Trabalho na equipe de arte q está produzindo material para uma série de desenhos animados. Também fiquei sabendo de um blog interno onde a galera pode postar desenhos e contatos: o Pausa para o Desenho. A concentração de talentos no retângulo da sala (e fora dela, nas outras equipes) é surpreendente. Fico muito feliz por fazer parte de um time tão rico e espero fazer o melhor q puder…

Morando loooonge do trabalho, voltei a um antigo hábito: ler no ônibus e no metrô. E pra começar, peguei “leve” (sem trocadilhos): tou terminando mais um livro do Jô – Assassinatos na Academia Brasileira de Letras. Não vou comentar de valor literário, essas coisas. Leio porque me diverte e me estimula a contar histórias. Este romance se passa no Rio de Janeiro dos anos 1920 – numa época muito pitoresca – e é ótimo encontrar no livro os nomes dos lugares da cidade onde estou morando numa época em q nem meus pais sonhavam em nascer. Dá até vontade de desenhar algumas personagens da novela ou transformar algumas cenas em páginas de quadrinhos. Já senti vontade de fazer isso quando li o prólogo de O homem que matou Getúlio Vargas, do mesmo autor.

bigode_marlon_tenorio

Os esboços acima não guardam relação com o livro, mas confesso q a leitura inspira.