A cura… ou porque não posso assistir a seriados!
October 16th, 2010Nunca fui fã de séries. Nunca li os Harry Potters e até os filmes eu vi alguns apenas. Dos vampiros adolescentes, acompanhei a febre de longe, não cheguei perto dos livros e dos filmes só vi os dois primeiros. Da enxurrada de seriados da TV norte-americana passei longe e só vi House – picotado – e uns poucos episódios de Heroes. Lost… nem pensar. O q dizer? Caso perdido, certamente. Não há salvação, medicação, cura… cura… A cura…
Ok, baby, vc venceu, batata frita! Fui fisgado feito peixinho. Dei ouvidos a um colega de trabalho q me falou muito bem sobre o recente seriado da Tv Globo exibido às terças-feiras após o Casseta. Sempre gostei de assuntos ligados ao mundo espiritual – não é à toa q minha base religiosa é espírita – mas estava há muito distante desse universo. Qdo ele me falou sobre um curandeiro, um médico espiritual, minhas orelhas se viraram q nem as de um gato e me lembrei de uma série (olha eu me contradizendo!) de 3 livros escritos por Noah Gordon. Infelizmente dos 3 apenas os dois são bons e o terceiro acabou ficando muito raso. São eles: O físico, Xamã e A escolha da Dra. Cole. O primeiro é fantástico e o segundo vai na mesma onda, mas o último… bom, quem quiser leia-os, eu recomendo, mesmo. Tratam de um dos mais belos temas da minha lista: medicina. Se não fosse artista, talvez pudesse ser médico, mas sou passional, seria difícil. Anatomia me atrai e como adoro desenhar figura humana, taí a ligação. Embora os livros possam ser lidos independentemente – o q é muuuuito bom – o autor faz uma amarra dos três colocando sempre o mesmo nome para o personagem principal: Rob J. Nos 2 primeiros, Rob J. indica homens, mas o último ele resolveu protagonizar uma mulher e não teve o mesmo impacto. Enfim, mas o q liga os livros do escritor norte-americano à trama global? O fato de q as personagens principais têm um dom. Os Rob J. de Gordon pressentem a morte ao toque das mãos ao passo que o Dimas do seriado cura a partir de cirurgias espirituais. Bom, foram ingredientes de sobra para eu mergulhar de cabeça na série e baixar todos os 8 episódios e devorá-los fervorosamente. Tanto é q tive úlcerars esperando o último capítulo da… primeira temporada. PRAAAAAAAGAAAAAAAA! EU ODEIO SÉÉÉÉRIES!
Voltando ao normal, assistindo aos capítulos, algo fez “click!” dentro da minha cabeça. Embora eu tivesse me afogado na trama, por um breve momento olhei de fora, com olhos de decupador e vi o poder da sequência para se contar uma trama. Apaixonado por quadrinhos, animação, cinema, não pelo conteúdo, mas pela forma, pelo meio, pelo canal, fiquei feliz ao notar algumas lições de narrativa dentro do seriado. Confesso q a sequência q me chamou a atenção eu não achei mais, mas voltei aos episódios na esperança de ver a “lição” em outras tomadas e achei duas. Não sei nomes técnicos – talvez algum leitor possa me ajudar -, mas eu chamei a “lição” de “do macro para o micro”, isto é, como partir de um plano bem externo e terminar num plano bem próximo. Os cortes dão ritmo, cadência à trama e fica muito bonito. Capturei as duas sequências e apresento agora.
Na primeira delas (6 primeiros quadros), Dimas (personagem de Selton Melo) contracena com sua mãe, Margarida, interpretada por Nívea Maria. A câmera começa exibindo um quadro bonito em q os dois personagens conversam emoldurados por um espelho. Esta é a tomada mais aberta. A seguir vemos os dois de corpo inteiro: Dimas de frente e Margarida de costas. A seguir temos um plano médio de Margarida e o “ping-pong” para o mesmo enquadramento de Dimas. E pra terminar, um close de Nívea Maria e um de Selton Melo. Os diálogos ditam o ritmo de troca de POV (point of view, pontos de vista) e a sequência fica quase musical: texto e imagem dançam ao mesmo tempo.
Na segunda sequência, o mesmo recurso foi usado para contar ações, sem diálogos. Aqui a tomada mais externa é uma vista de Diamantina, à noite. Um novo corte mostra as casas um pouco mais próximas. O corte seguinte é a entrada da casa de Dimas e o carro de Rosângela estacionado. Dimas sai de casa e ao chegar ao veículo, novo corte, mais próximo. Ele entra no carro e mais uma aproximação. Só neste momento ele começa a falar. Repare q o recursco é usado tanto para ambientar (lugar: Diamantina, tempo: noite, lugar: porta da casa de Dimas) como para apresentar um diálogo q envolverá Dimas e Rosângela. Isso causa tensão q se equilibra qdo estamos dentro do carro e ocorre um ping-pong de planos próximos entre os dois personagens.
Longe de ser um estudioso catedrático do assunto, confesso q prestar atenção a esses detalhes enriquece muito a minha narrativa. Conhecer as ferramentas e os fundamentos é mais q necessário na hora de fazer alguma coisa, além de ser até divertido!
Ufa, post longo. Tão vendo porque eu não posso gostar de séries…













